Hélder acordou
com frio, era noite cerrada, o nevoeiro como de costume tomava conta da praia.
Mais uma ressaca o aguardava, afinal, como também era hábito, não se lembrava
de como tinha ido parar a praia do sul, os copos a mais e as miúdas no Ouriço
tinham dessas coisas. Era hora de voltar pra casa, cinco minutos de caminho. Levantou-se,
encontrou a camisa e os tênis ao pé das escadas, vestiu-se e começou a caminhar
pela calçada que ia dar ao hotel. Pouco antes de chegar ao hotel um tipo
estranho cruza-se com ele. Cabelos pretos lisos e compridos, alto e magro mas
sem a compleição desastrada tão habitual neste tipo físico, mas o que mais lhe
chamou a atenção foi o objeto fino e comprido que o tipo trazia a cintura,
pareceu-lhe uma espada, mas qual o sentido de alguém andar armado a essas horas
numa praia deserta?
Ao chegar aos navegantes começou a
estranhar o silêncio, se era tão tarde para não haver ninguém na rua já deveria
estar a começar a amanhecer, se não era assim tão tarde ainda deveriam haver
pessoas na rua e barulho nos navegantes. Mas como não era pessoa de se
preocupar muito com o que acontecia decidiu que era só estranho, principalmente
a meio de agosto. Seguiu pela rua do Morais, até à rua da Barroca e depois pela
rua da velha onde morava. A namorada, Catarina, já estava acostumada a que ele
chegasse tarde, pelo que se calhar nem acordava, era só não fazer demasiado
barulho. Abriu a porta com cuidado tirou a roupa na sala e deitou-se sem
acender a luz do quarto. Adormeceu quase de imediato sem nem se aperceber que
estava sozinho.
Era quase meio-dia quando acordou, virou-se
para o lado para abraçar a Catarina mas ela não estava. Olhou para o telemóvel viu
as horas e concluiu que ela já tinha levantado. Mas viu também que tinha varias
chamadas não atendidas. Não era normal, poucas pessoas tinham o seu número e as
que tinham normalmente não o usavam. Eram do Filipe, um dos seus melhores
amigos. Para ter tantas chamadas dele devia ser algo grave, ligou de volta
naquele momento.