sábado, 8 de agosto de 2015

Capítulo Um - Hélder Sintra

      Hélder acordou com frio, era noite cerrada, o nevoeiro como de costume tomava conta da praia. Mais uma ressaca o aguardava, afinal, como também era hábito, não se lembrava de como tinha ido parar a praia do sul, os copos a mais e as miúdas no Ouriço tinham dessas coisas. Era hora de voltar pra casa, cinco minutos de caminho. Levantou-se, encontrou a camisa e os tênis ao pé das escadas, vestiu-se e começou a caminhar pela calçada que ia dar ao hotel. Pouco antes de chegar ao hotel um tipo estranho cruza-se com ele. Cabelos pretos lisos e compridos, alto e magro mas sem a compleição desastrada tão habitual neste tipo físico, mas o que mais lhe chamou a atenção foi o objeto fino e comprido que o tipo trazia a cintura, pareceu-lhe uma espada, mas qual o sentido de alguém andar armado a essas horas numa praia deserta?
      Ao chegar aos navegantes começou a estranhar o silêncio, se era tão tarde para não haver ninguém na rua já deveria estar a começar a amanhecer, se não era assim tão tarde ainda deveriam haver pessoas na rua e barulho nos navegantes. Mas como não era pessoa de se preocupar muito com o que acontecia decidiu que era só estranho, principalmente a meio de agosto. Seguiu pela rua do Morais, até à rua da Barroca e depois pela rua da velha onde morava. A namorada, Catarina, já estava acostumada a que ele chegasse tarde, pelo que se calhar nem acordava, era só não fazer demasiado barulho. Abriu a porta com cuidado tirou a roupa na sala e deitou-se sem acender a luz do quarto. Adormeceu quase de imediato sem nem se aperceber que estava sozinho.

       Era quase meio-dia quando acordou, virou-se para o lado para abraçar a Catarina mas ela não estava. Olhou para o telemóvel viu as horas e concluiu que ela já tinha levantado. Mas viu também que tinha varias chamadas não atendidas. Não era normal, poucas pessoas tinham o seu número e as que tinham normalmente não o usavam. Eram do Filipe, um dos seus melhores amigos. Para ter tantas chamadas dele devia ser algo grave, ligou de volta naquele momento.